Arquitetura Sustentável

Praça Victor Civita: Área Verde Abandonada em SP

Praça Victor Civita: Área Verde Abandonada em SP

Praça Victor Civita: um projeto super bacana de sustentabilidade em SP que infelizmente está abandonado e mal cuidado. E todos saem perdendo…

Praça Victor Civita

A Decepção

Sabe quando você sai para gravar super empolgada de mostrar um lugar bacana, com um projeto super inteligente e inovador, chega lá e percebe que o local está abandonado e jogado “às traças”? Pois é, foi essa sensação que tive quando cheguei lá na Praça Victor Civita essa 5af para gravar o vídeo acima.

 

A Praça Victor Civita

Essa praça foi um marco na história de São Paulo. Ela está localizada no bairro de Pinheiros, perto do Largo da Batata e da Marginal, a apenas alguns passos do metrô Pinheiros, na Rua Sumidouro, 580.

No local onde hoje está a praça funcionou um incinerador de lixo (de 1949 e 1989), que acabou sendo desativado pelo desenvolvimento do bairro. Após a desativação cooperativas de reciclagem passaram a dar novo uso para o local. Mas o incinerador já tinha deixado a sua marca: um solo profundamente contaminado e impróprio para a vida humana. Então no começo dos anos 2000, a Prefeitura fez um então acordo com o Grupo Abril para revitalizar o espaço.

 

Cronologia

2001 – Parceria entre Prefeitura e Grupo Abril;

2002 – Análise do solo e do prédio feita pela Cetesb e confirmação da presença de resíduos tóxicos;

2006 – Início dos trabalhos de recuperação da área sob coordenação da Emurb e da Subprefeitura de Pinheiros;

2007 – Grupo Abril e Prefeitura assinam documento que cria a Praça Victor Civita;

2008 – Inauguração da Praça em novembro;

2010 – Ganha o VII Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa na categoria Obras Públicas Green;

2011 – Gestão assumida pela Associação Amigos;

2015 – Termina a parceira do Grupo Abril;

2016 – Administração pela gestão municipal, por meio da Subprefeitura de Pinheiros.

 

O projeto

A praça é o resultado de um inteligente processo arquitetônico que acabou ganhando grandes prêmios de sustentabilidade. Para evitar o contato com o solo contaminado, a praça é em sua maioria construída em cima de deck elevado de madeira — assim é possível caminhar por lá sem tocar no chão. Para deixar a praça mais atraente e verde, um projeto de paisagismo feito pelo Benedito Abud que incluiu a implantação de árvores, horta circular e jardim suspenso, além de novas terras e tecnologia. Além disso, a água da chuva também é reaproveitada para as plantas e, após tratamento, para limpeza e sanitários. E se não bastasse, a iluminação da área feita com LED e há um ponto de coleta de reciclagem.

O projeto teve início em 2006, quando a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Abril, assessorados por Levisky Arquitetos, firmaram parceria para viabilizar a recuperação do antigo incinerador, cujo terreno encontrava-se em profundo estado de degradação. Com base nessa questão, Adriana Levisky e Anna Dietzsch criaram um projeto com soluções que se apropriam da temática de modo positivo, focando o problema e ao mesmo tempo mostrando como superá-lo. As arquitetas buscaram utilizar, tanto quanto possível, alternativas ecológicas e sustentáveis para a Praça Victor Civita.

O Deck

Um grande deck de madeira certificada pousa sobre o terreno, sustentado por estrutura metálica, de modo a impedir o contato com o solo contaminado. O deck se estende na diagonal do terreno, propondo um percurso que enfatiza a perspectiva natural do espaço e convida o usuário a percorrer os caminhos da Praça. Como o casco de um grande barco, o deck se desdobra do plano horizontal ao vertical com formas curvilíneas, criando ambientes que se delimitam pela tridimensionalidade da forma, grandes “salas urbanas” que diversificam e incentivam o uso público do espaço.

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, perspectiva axonométrica detalhe deck de madeira, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Desenho escritório

 

Este deck, suspenso a aproximadamente 1,00 m do nível do piso existente, leva o usuário a um passeio pelo conhecimento de processos ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas com espécies em pesquisa para produção de biocombustíveis, hidroponia, renovação de solos, fitoterapia e engenharia genética. Também conduz ao conhecimento de sistemas orgânicos para o reuso de águas pluviais e servidas, adotados no funcionamento da praça, além do racionamento energético alcançado com a utilização de placas solares.

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, corte deck de madeira, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Desenho escritório

 

Educação Ambiental

Junto a essas experiências, o usuário tem também acesso a outros programas, como à arena coberta, ao Museu da Reabilitação instalado no edifício do Incinerador, ao Centro da Terceira Idade, à Oficina de Educação Ambiental, ao Núcleo de Investigação de Águas e Solos subterrâneos e à Praça de Paralelepípedos.

 

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, perspectiva axonométrica jardineira (“planter”) com sistema de auto-irrigação tec-garden, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Desenho escritório

Sustentabilidade

Sustentabilidade econômica

Através de parceria público-privada, a gestão privada viabiliza a transformação e reabilitação do espaço para uso público. Usos públicos, como espetáculos, exposições e cursos, tornam o empreendimento auto-sustentável. A gestão da praça ocorrerá com a participação de parceiros “Amigos da Praça”.

 

Sustentabilidade cultural

O projeto busca usar o espaço como catalisador de desenvolvimento comunitário, cultural e educacional, oferecendo acesso a programas como a Arena Coberta, os Museus da Reabilitação, o Centro da Terceira Idade, a Oficina de Educação Ambiental, o Núcleo de Investigação de Solos e Águas subterrâneas, a Praça de Paralelepípedos e o Museu Aberto da Sustentabilidade. Para isso conta com a parceria de instituições como Verdescola, CETESB, GTZ e MASP.

 

Sustentabilidade Ecológica

Através da parceria com instituições como o IPT, CETESB e GTZ, a Praça Victor Civita apresenta uma oportunidade de investimento na pesquisa de temas ligados à sustentabilidade, como a certificação da madeira, laboratório de plantas, uso de sistemas orgânicos para a reciclagem de água e racionamento energético.

 

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, especificação de plantas, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Imagem escritório

 

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, ciclo da água – “planter”, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Esquema escritório

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, ciclo de água filtro, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 2008 Esquema escritório

Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, ciclo de água deck, São Paulo. Levisky Arquitetos Associados, 200 Esquema escritório

 

Lazer, Convívio e Cultura

Essa revitalização permitiu dar uma nova vida a uma área perdida na cidade, além de criar um espaço público de convívio e de cultura. Assim há também uma arquibancada no local que pode abrigar até 400 pessoas. Lá já foi palco de shows e festivais, como o da Agricultura Urbana e às 5afs às 19h costumava acontecer o Cine na Praça, um cinema gratuito ao ar livre com direito a pipoca.

O prédio do incinerador, também renovado, abrigava o museu da sustentabilidade, que estava vazio e fechado nessa visita.

A Praça Victor Civita também era um local de prática de exercícios, disponibilizando equipamentos de ginástica para terceira idade, e recebendo professores de yoga e pilates diariamente.

Que essa praça e todas as outras áreas verdes abandonadas na nossa cidade, estado e país sejam recuperadas e bem tratadas! Precisamos de mais verde no mundo!

 

Esse projeto foi inspirado no High Line Park de NY.

Veja outras áreas verdes escondidas em São Paulo.

 

Fontes:

Vitruvius

São Paulo Saudável 

Sustentarqui

 

 

E aí? O que você achou da praça Victor Civita? Já conhecia essa praça? Qual foi sua experiência com ela? Conhece outras áreas bacanas que também estão abandonadas? Conta para mim nos comentários abaixo.

 

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Beijos floridos com amor, carinho e gratidão da Nô Figueiredo

Guirlanda de flores com "NÔ" escrito no centro

Arquiteto cria edifício agro-urbano em cidade japonesa

Arquiteto cria edifício agro-urbano em cidade japonesa

Fiquei encantada com esse edifício japonês da matéria que a Mayra Rosa da Redação CicloVivo escreveu. Que maneira mais linda de unir o concreto com o verde!

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

O edifício Asian Crossroads Over the Sea (ACROS), localizado na cidade de Fukuoka, no Japão, é praticamente um parque urbano. Construído em 1994, ele possui três fachadas convencionais: uma delas, possui enormes terraços, que, juntos, assemelham-se a uma montanha. O local era o último espaço verde restante no centro da cidade.

O projeto, do escritório de arquitetura argentino Emilio Ambasz & Associates, propõe uma solução nova para um problema urbano comum: conciliar o desejo de desenvolver um lugar para uso rentável, oferecendo, ao mesmo tempo, espaços verdes. O plano de Fukuoka atende às duas necessidades numa única estrutura, através da criação de um modelo inovador agro-urbano.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

Os 15 terraços, que atingem cerca de 60 metros acima do solo, contém 35 mil plantas, representando 76 espécies. Um grande átrio semicircular e um saguão triangular proporcionam contraste com a vegetação.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

O telhado verde reduz o consumo energético do edifício, pois mantém a temperatura interna mais constante e confortável, além de captar águas pluviais e dar suporte à vida de pássaros e insetos.

 

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

Uma série de espelhos d’água nos terraços são conectados por pulverização ascendente de jatos de água. Estas piscinas ficam acima do átrio de vidro, no interior do edifício central, trazendo luz difusa para o interior.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

Uma grande “pedra” ao pé do parque-terraço atravessa a entrada em forma de “V”. Este elemento também funciona como ventilação de escape para os pisos subterrâneos e como um palco elevado para apresentações de música no local.

O lugar também possui sala de exposições, museu, teatro, sala de conferências, escritórios privados e governamentais, bem como vários níveis subterrâneos de estacionamento e lojas.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

O ACROS é muito utilizado como área de exercício e de repouso, com vistas para a cidade e para o rio, que corre ao lado da construção.

 

Foto: Divulgação/Prefeitura de Fukuoka

Fonte: blog CicloVivo

Que esse exemplo sirva de inspiração para muitos projetos aqui no Brasil e pelo mundo a fora! Vamos trazer o verde de volta ao nosso planeta!

 

 

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Nô Figueiredo – A Menina do Dedo Verde

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Como ficaria a marginal do rio Tietê se o verde retornasse?

Como ficaria a marginal do rio Tietê se o verde retornasse?

Saiu uma entrevista da Pérola, colunista do blog, na revista National Geographic Brasil. Confira abaixo:

Projeto de arquiteta da USP devolve aos rios as várzeas em suas margens

Ilustração de Jonatan Sarmento – Projeto Ecológico na marginal do rio Tietê, em São Paulo

Pequim, Mumbai, Cidade do México, São Paulo. Nas metrópoles dos países em desenvolvimento, a urbanização roubou o espaço da paisagem natural. Áreas verdes e cursos d’água foram tomados pelo concreto.

É o caso da maior cidade brasileira, marcada pelo Tietê, um rio de extensas planícies aluviais, condição que potencializa enchentes ocasionadas pelas tempestades de verão. Impermeabilizada em trechos importantes de escoamento, como os fundos de vale, São Paulo fica a cada dia mais sujeita às cheias de seus rios e córregos.

A arquiteta Pérola Felipette Brocaneli, doutora em paisagem e ambiente pela Universidadede São Paulo, está entre os pesquisadores que apostam em uma solução arrojada: devolver aos rios as várzeas em suas margens. “Não se trata apenas de criar parques ou áreas verdes, mas transformar a lógica estrutural de São Paulo, que deixará de ser viária e passará a ser ecológica”, diz.

Na prática, isso significaria desapropriar os edifícios e afastar as vias pavimentadas que hoje ladeiam o rio Tietê e seus principais afluentes (Pinheiros, Tamanduateí) – um plano ainda utópico, sobretudo quando se nota que, em 2010, canteiros foram derrubados para dar lugar a três novas faixasde asfalto. “Sei que tais possibilidades incomodam. Mas o que deveria ser mais inquietante são as péssimas condições ambientais e os reflexos disso na qualidade de vida dos paulistanos”, diz Pérola.

Uma mudança total levaria décadas. O primeiro passo seria a constituição de um parque linear principal, capaz de atuar no amortecimento das chuvas críticas e ser o eixo de um sistema de refrigeração para o município, composto de áreas verdes e úmidas. Esses espaços seriam criados ao longo de rios e córregos que hoje estão inseridos nas porções denominadas pelo poder público de “operações urbanas”. “São áreas residuais, sujeitas a um zoneamento especial, voltadas para a reestruturação territorial de São Paulo”, diz Pérola.

Em vez de direcionar essas áreas de maneira integral para empreendimentos imobiliários, a ideia é destiná-las também à recuperação de antigas zonas úmidas.Uma das propostas é interligar por meio de um corredor ecológico no eixo noroeste-sudeste as serras da Cantareira e do Mar. A umidificação, o controle térmico e a regularização do ciclo hidrológico seriam favorecidos – ou seja, haveria uma regularização do calor e das chuvas acima do normal. Hoje, o vento frio vindo das partes altas não é capaz de refrigerar a cidade porque depara com uma bolha de ar aquecido e seco ao atingir aregião metropolitana – resultado do desmatamento e da impermeabilização das várzeas.

Na renascida São Paulo, a demanda pelos carros particulares tenderia a diminuir, já que as opções de serviço e de lazer estariam melhor distribuídas e o transporte público seria mais eficiente. “Além disso, atrações culturais e praças esportivas fariam parte das novas áreas verdes”, completa Pérola.“São Paulo precisa alterar sua noção de privado. Mais do que recuperar o ambiente, trata-se de criar redes de espaço público.”

EDIÇÃO 144/ MARÇO DE 201227/02/2012

texto por Thiago Medaglia para National Geographic Brasil

Para ler a entrevista no site da revista acesse: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

 

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São Paulo fluvial

São Paulo fluvial

Na revista Trip de outubro saiu uma matéria com Alexandre Delijaicov sobre a São Paulo do futuro inspirada no passado. Uma metrópole fluvial!

 

SÃO PAULO E O RIO

Alexandre Delijaicov propõe um futuro inspirado no passado. Seria uma metrópole fluvial
14.10.2010 | Texto por Bruno Weis Ilustração Fujocka sobre fotos de Gabriel Rinaldi

 

Uma São Paulo com um anel hidroviário de 600 km de extensão, conectando os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí e as represas Billings, Guarapiranga e Taiaçupeba. Uma metrópole com uma bacia fluvial repleta de barcos transportando cargas diversas até ecoportos com usinas de reciclagem de lixo. Uma cidade habitada por pessoas que utilizam os rios como meio de transporte ou fonte de lazer, com piscinas flutuantes, caiaques e até pedalinhos na paisagem. Delírio? Não para Alexandre Delijaicov, arquiteto e urbanista da Universidade de São Paulo. Para ele, falar de uma São Paulo fluvial é falar do futuro da maior cidade da América Latina.

Delijaicov é um dos responsáveis pelos projetos dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), os prédios construídos em bairros da periferia de São Paulo que concentram creches, escolas, equipamentos esportivos e culturais. Além disso, um de seus trabalhos pela USP resultou em um projeto de implantação de ciclovias urbanas. Mas a pesquisa sobre a utilização dos rios e lagos de São Paulo, iniciada há mais de dez anos, é sua mais consistente e ao mesmo tempo sonhadora resposta ao caos urbano.

“O projeto não é uma fantasia. Ele é não apenas factível, como economicamente viável. Só o transporte público de lixo pelos rios já justificaria a execução. Mas essa é uma questão de política de Estado, não de governo. Porque o projeto pode levar 20 anos, atravessar até cinco gestões, com grandes obras de infraestrutura e gastos de mais de R$ 1 bilhão”, explica Delijaicov.

“O projeto não é uma fantasia. É economicamente viável. Mas depende uma política de estado”

“O Brasil concentra 12% da água doce do mundo, mas constrói suas cidades de costas para os rios. Para inverter isso, as marginais de São Paulo, por exemplo, teriam que acabar. Hoje parece difícil, mas não sabemos no futuro. Se não houvesse restrição de dinheiro nem de opinião pública, daria para fazer.” Mas o arquiteto afirma que um primeiro passo já foi dado: o Departamento Hidroviário da Secretaria Estadual de Transportes contratou um estudo de viabilidade do anel hidroviário.

O projeto está detalhado em desenhos, mapas, fotos antigas e croquis de diferentes ângulos e escalas. Propõe a criação de uma rede de navegação nos rios e represas da cidade, com portos, canais e barragens para ordenar o fluxo de balsas e barcos que transportariam passageiros e cargas de baixo valor agregado, como lixo, entulho, terra e lodo. Além do anel hidroviário de 600 km de extensão, que demandaria a construção de dois grandes canais de ligação entre represas, o projeto também prevê a abertura de um porto no centro velho de São Paulo.

De volta ao passado

São Paulo já teve 4.000 km de rios e córregos. Hoje menos de 400 km permanecem a céu aberto. Há menos de cem anos, riachos, corredeiras e córregos existiam no lugar de algumas das principais ruas e avenidas da cidade. A Nove de Julho era o Saracura, a 23 de Maio, o Itororó. Vladimir Bartalini, professor de arquitetura da USP e colega de Delijaicov, vem mapeando esses córregos ocultos de São Paulo para oferecer à população a informação de que onde ela anda, ou roda, corre um riacho. “Assim poderemos reverter a associação dos rios com aspectos negativos, como esgotos, lixo, inundações, e abrir frentes para o tratamento criterioso dos espaços livres”, explica Bartalini.

As ideias de Delijaicov para o futuro de São Paulo dialogam o tempo todo com esse passado da metrópole, quando vários urbanistas, arquitetos, engenheiros e paisagistas planejaram o crescimento da cidade a partir de sua geografia marcada por vales e levando em conta a malha fluvial. “Meu projeto é a condensação de propostas feitas no século 19 e início do século 20 que pensavam as águas da cidade com usos múltiplos.”

Delijaicov lembra que no passado engenheiros importantes como Saturnino de Brito projetaram a retificação do Tietê sem a construção das vias marginais. Os planos incluíam um parque com 25 km de extensão por 1 km de largura ao longo do Tietê e outros menores ao longo de córregos como os da Moóca, do Tatuapé e do Ipiranga – todos já sumidos da paisagem urbana.

Segundo o urbanista, a cidade começou a dar as costas para suas águas com o plano de avenidas criado por Prestes Maia nos anos 30, que emparedou rios de fundo de vale e pavimentou o caminho para o triunfo do automóvel. “Fomos abduzidos por um rodoviarismo inconsequente”, diz Delijaicov, que enxerga os carros como uma célula cancerígena que se multiplicam sem limites.

Com a canalização e a cobertura de rios e córregos, aumentaram os problemas de enchentes e diminuíram as chances de São Paulo se tornar uma metrópole fluvial, como tantas cidades europeias. Mas, se depender de Delijaicov, a capital paulista poderá ter, em um futuro próximo, bateau mouches como os do Sena em Paris, vaporettos como em Veneza e piscinas flutuantes como as do rio Spree em Berlim.

O urbanista e o mestre da imagem

Inspirada pelo projeto do anel hidroviário defendido pelo urbanista Alexandre Delijaicov e também pelo mapeamento dos córregos ocultos de São Paulo feito pelo professor de arquitetura Vladimir Bartalini,Trip tentou traduzir visualmente o conceito de São Paulo como uma metrópole fluvial, em um futuro não muito distante.
Convidou o fotógrafo Gabriel Rinaldi para registrar os locais e depois convocou Fujocka, mestre do tratamento de imagens, para reinventá-los com uma nova relação com suas águas. O resultado mistura cenas que poderão se tornar realidade dentro de alguns anos, como a do Tietê navegado por um barco de passageiros, e outras improváveis, como o do córrego Saracura tomando novamente o lugar da av. Nove de Julho.

E aí, dá pra fazer?

“São Paulo tem uma série de córregos e rios tamponados. Por isso esse projeto é importante. E viável, pois temos tecnologias e recursos. Só precisamos dirigir uma política com essa finalidade. Imagine se pudéssemos sair de Pinheiros e chegar na Penha de barco. Seria outra cidade. Não desenvolvemos uma cultura de convivência com os cursos d’água e precisamos reverter isso.”
Newton Massafumi
, diretor do Núcleo de Pesquisa da Escola da Cidade

“É um projeto muito engenhoso. É difícil reabrir todos os canais e córregos que foram fechados, os rios têm configurações muito diferentes. No entanto, apesar de existirem empecilhos, precisamos valorizar essas ideias. Nós desperdiçamos os cursos d’água.”
Jorge Wilheim
, arquiteto e urbanista

“Esse é um projeto interessantíssimo, tanto do ponto de vista paisagístico como do transporte. No entanto, essa prospecção, de usar os rios como estrutura viária, está cada vez mais longe de acontecer, por conta das políticas autoritárias dos governantes.”
José Magalhãe
s, professor de Projetos Urbanos da Universidade Mackenzie

Site referência: revista Trip outubro de 2010.

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Nô Figueiredo – A Menina do Dedo Verde
Conexão com a natureza.